Patti
dia de eclipse, insônia à noite
Leio M Train, da Patti Smith_ o primeiro e segundo textos, encadeados pelo I'lo Café e seu sonho e viagem à Guiana Francesa para buscar pedras pra Genet, junto ao seu marido. Os detalhes que fazem e criam a atmosfera, que partilham essa experiência comigo, uma leitora. Gosto muito. Algumas palavras em inglês que eu não conheço. Me escapa parte de sua poética, e tudo bem, eu sigo. Penso então que a escrita para mim é como eu expresso minha liberdade, o que me move__ a vivência em uma experiência – em afecções e afetos diferentes – ou pelo menos eu busco essa dimensão do existir pelas mãos, por esses traços e pelos traços dos desenhos também. É como incorporo o presente, como eu escolho, corporifico essa exploração em movimento, que é o próprio gesto da escritura. Me pergunto então, como escrever sobre minhas experiências anteriores? Se eu ainda não era eu, estava em busca do EU, é como escrever sobre minhas vidas passadas? Ou a partir de personagens várias que eu fui, e na borda de mim mesma, numa nesga, por um instante eu fui e depois escapei de novo? Que foram vivências muitas e em tantas terras, por tantos corpos e sabores, dores e sapiências, risadas e abusos, sonhos e danças. Parei. Me distraí em mensagens do celular, com a multa do carro que perdi a data de pagamento de novo, o texto curto sobre solitude escrito por Tim Ingold e Sophie Krier que o Lucas tinha sugerido, na pausa breve também da britadeira insana assassina da Terra na obra da torre vizinha (e ainda tem outras por virem ao redor em breve)…

